13 de Maio: memória, reflexão e luta contra as desigualdades no campo brasileiro
O 13 de Maio, data que marca a assinatura da Lei Áurea e a abolição oficial da escravatura no Brasil, representa um momento histórico de profunda reflexão sobre as marcas deixadas pela escravidão e os desafios que ainda persistem na sociedade brasileira.
Mais de um século depois da abolição, a população negra segue enfrentando desigualdades estruturais que atingem diretamente o acesso a direitos, renda, oportunidades e condições dignas de trabalho especialmente no campo.
Os assalariados e assalariadas rurais no Brasil são majoritariamente negros e negras. Dados do DIEESE e relatórios da Oxfam Brasil de 2024/2025 apontam que cerca de 68,7% a 69,6% dos trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais são pretos ou pardos. Entre os trabalhadores e trabalhadoras na informalidade, sem carteira assinada, esse percentual sobe para 72,5%.
Esses números revelam uma realidade histórica marcada pela exclusão social, pela precarização das relações de trabalho e pelas dificuldades enfrentadas diariamente por milhares de trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais.
A permanência da desigualdade racial no campo evidencia que a abolição da escravatura, embora tenha representado um passo importante na história do país, não garantiu inclusão social, acesso à terra, igualdade de oportunidades ou condições dignas de vida para a população negra.
Para a CONTAR, lembrar o 13 de Maio é também reafirmar a necessidade de fortalecer políticas públicas, combater o racismo estrutural, ampliar os direitos trabalhistas e garantir trabalho decente para os assalariados e assalariadas rurais.
A luta por igualdade racial está diretamente ligada à luta por dignidade, valorização do trabalho, justiça social e respeito à vida dos trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais do campo.
Neste 13 de Maio, a CONTAR reforça seu compromisso com a defesa dos direitos da classe trabalhadora rural e com a construção de um campo mais justo, humano, igualitário e livre de toda forma de discriminação e exploração.
Enquanto houver desigualdade, haverá luta.
Esta publicação é parte do Projeto de cooperação com a DGB Bildungswerk, no marco do projeto “Enfrentando as desigualdades de gênero e a discriminação racial nas áreas rurais no Brasil” (PN 2023 2622 1/DGB0019), ciclo 2024-2026. A produção contou com o apoio financeiro do BMZ (Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha). O conteúdo deste material é de responsabilidade exclusiva da CONTAR.
