Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil
Uma conquista histórica que segue viva na luta das mulheres do campo
No dia 24 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia da Conquista do Voto Feminino, marco histórico que reconhece a luta das mulheres pelo direito à participação política. Foi em 1932, com a promulgação do Código Eleitoral, durante o governo de Getúlio Vargas, que as mulheres brasileiras passaram a ter o direito de votar e serem votadas.
Essa conquista não foi um gesto espontâneo do Estado. Foi resultado da mobilização intensa de mulheres organizadas, de luta por igualdade de direitos, como a liderança de Bertha Lutz, que enfrentaram preconceitos, resistência política e barreiras culturais para garantir que a voz feminina fosse reconhecida nas decisões do país.
O significado do voto para as mulheres assalariadas rurais:
Para as mulheres do campo, especialmente as assalariadas rurais, o direito ao voto representou muito mais do que participar das eleições. Representou o reconhecimento da sua cidadania.
Historicamente invisibilizadas, submetidas a jornadas exaustivas e, muitas vezes, à informalidade e à desigualdade salarial, as mulheres rurais sempre desempenharam papel fundamental na produção de alimentos e na sustentação da economia agrícola. No entanto, por décadas, tiveram pouca representação nos espaços de poder e decisão.
O voto foi, e continua sendo instrumento de transformação social. É por meio dele que se fortalecem políticas públicas voltadas para:
•Direitos trabalhistas no campo
•Combate à violência contra a mulher
•Igualdade salarial
•Acesso à saúde e educação nas áreas rurais
•Proteção social e previdenciária.
A luta continua:
participação e representação
Mesmo com avanços importantes, as mulheres ainda enfrentam desafios estruturais na política e no mundo do trabalho. No campo, as assalariadas rurais convivem com:
•Desigualdade de oportunidades
•Dupla jornada (trabalho e responsabilidades domésticas)
•Baixa representatividade política
•Violência de gênero
Por isso, o 24 de fevereiro não é apenas uma data comemorativa. É um chamado à reflexão e à ação.
Fortalecer a participação das mulheres nos sindicatos, nas federações, nos conselhos e nos espaços de decisão é fortalecer a democracia. Quando uma mulher rural ocupa um espaço de liderança, toda a categoria avança.
O papel da organização sindical:
A organização coletiva sempre foi ferramenta fundamental para garantir direitos. No movimento sindical rural, a presença das mulheres tem crescido, trazendo novas pautas, novas perspectivas e ampliando a defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Valorizar a participação feminina significa reconhecer que:
Não há justiça social no campo sem igualdade de gênero.
A conquista do voto feminino nos lembra que direitos não são concessões, são frutos de mobilização, resistência e coragem.
24 de Fevereiro: memória, resistência e futuro
Celebrar essa data é honrar as mulheres que vieram antes e reafirmar o compromisso com aquelas que seguem na luta diária: nas lavouras, nas colheitas, nas agroindústrias, nos sindicatos e nas comunidades rurais.
A democracia se fortalece quando as mulheres participam.
O campo se fortalece quando as assalariadas rurais são respeitadas.
O Brasil avança quando há igualdade.
Esta publicação é parte do Projeto de cooperação com a DGB Bildungswerk, no marco do projeto “Enfrentando as desigualdades de gênero e a discriminação racial nas áreas rurais no Brasil” (PN 2023 2622 1/DGB0019), ciclo 2024-2026. A produção contou com o apoio financeiro do BMZ (Ministério Federal de Cooperação Econômica e Desenvolvimento da Alemanha). O conteúdo deste material é de responsabilidade exclusiva da CONTAR.
