Com ampla participação dos trabalhadores e trabalhadoras, Congresso reafirmou a importância da organização sindical, promoveu debates sobre direitos, trabalho escravo e segurança e saúde no trabalho e marcou um novo momento para a representação dos assalariados e assalariadas rurais cearenses.
O 2º Congresso Estadual dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais do Ceará representou mais do que um momento estatutário e de escolha de uma nova direção. Foi um espaço de democracia, formação, participação e fortalecimento da organização sindical, reafirmando a importância da união entre trabalhadores e trabalhadoras para enfrentar os desafios presentes e futuros do mundo do trabalho rural.
Reunindo assalariados e assalariadas rurais, dirigentes sindicais, lideranças e convidados, o Congresso proporcionou um ambiente de diálogo no qual a base teve voz e participação ativa. Durante as palestras e debates, trabalhadores e trabalhadoras puderam apresentar perguntas, compartilhar experiências e relacionar os temas discutidos com situações vivenciadas diariamente nas relações de trabalho no campo.
Essa participação é fundamental para a construção de um movimento sindical cada vez mais representativo. Afinal, é a partir da realidade vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras que sindicatos, Federações e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais da CONTAR constroem suas pautas, reivindicações e estratégias de atuação.
Democracia sindical construída com participação
Um Congresso sindical representa um dos momentos mais importantes da vida de uma organização de trabalhadores e trabalhadoras. É nele que a categoria avalia caminhos, debate sua realidade, define prioridades e exerce democraticamente o direito de escolher aqueles e aquelas que assumirão a responsabilidade de conduzir a entidade no próximo período.
No Ceará, esse princípio esteve presente durante todo o 2º Congresso Estadual.
A leitura do Edital do Congresso e, posteriormente, o processo de votação reafirmaram a democracia como elemento indispensável para a legitimidade e o fortalecimento das organizações representativas dos trabalhadores.
Mais do que o ato de votar, a democracia sindical se materializa na possibilidade de participar, questionar, propor, construir coletivamente e assumir responsabilidades.
Cada trabalhador e trabalhadora presente contribuiu para esse processo.
É justamente essa participação da base que torna o movimento sindical forte e capaz de responder às transformações que acontecem no campo e no mundo do trabalho.
Sindicatos, Federações e CONTAR: uma estrutura que transforma a voz da base em luta coletiva
O Congresso também reafirmou a importância da estrutura sindical construída pelos assalariados e assalariadas rurais brasileiros.
Os Sindicatos são a presença mais próxima do trabalhador e da trabalhadora. É na base que chegam as denúncias, as dificuldades enfrentadas nos locais de trabalho, as dúvidas sobre direitos e as demandas por melhores condições de vida e trabalho.
As Federações cumprem o papel fundamental de articular essa luta em âmbito estadual, aproximando sindicatos, construindo estratégias conjuntas e fortalecendo a capacidade de representação da categoria.
No âmbito nacional, a CONTAR reúne e potencializa essas vozes, levando as reivindicações dos assalariados e assalariadas rurais para os espaços de diálogo, negociação e incidência onde são discutidas decisões que podem impactar milhões de trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro.
São diferentes níveis de representação, mas uma mesma construção coletiva.
Quando o Sindicato se fortalece, a Federação se fortalece. Quando as Federações estão organizadas, a CONTAR amplia sua capacidade de representação. E quando toda essa estrutura atua de maneira articulada, quem ganha força é o trabalhador e a trabalhadora assalariada rural.
Por isso, fortalecer as entidades sindicais significa também fortalecer a capacidade da categoria de defender direitos, combater violações e lutar permanentemente por trabalho decente, segurança, saúde, respeito e dignidade.
Formação para conhecer direitos e enfrentar violações
Além do processo democrático, o Congresso contou com uma importante programação formativa.
Um dos temas abordados foi o trabalho escravo, apresentado pela Dra. Christiane Nogueira, da Procuradoria Regional do Trabalho da 7ª Região – PRT-7.
O debate sobre o tema é particularmente relevante para os trabalhadores e trabalhadoras rurais, pois conhecer direitos e identificar situações de violação são instrumentos fundamentais para prevenção, denúncia e enfrentamento de práticas que atentam contra a dignidade humana.
Após a exposição, foi realizado um momento de perguntas, respostas e debate com os participantes.
A interação dos assalariados e assalariadas rurais do Ceará trouxe ainda mais significado à atividade. As perguntas e manifestações demonstraram que a formação sindical não pode acontecer distante da realidade da base: ela precisa dialogar diretamente com aquilo que os trabalhadores encontram no cotidiano.
Outro importante momento de formação foi conduzido pelo Dr. Arthur Weinberg, que abordou os direitos trabalhistas.
Novamente, a participação dos trabalhadores e trabalhadoras foi um dos pontos importantes da atividade. O debate permitiu esclarecer dúvidas e aprofundar questões relacionadas às relações de trabalho e à garantia de direitos.
Conhecer a legislação trabalhista e compreender os direitos conquistados historicamente também representa uma forma de proteção.
Trabalhador informado é trabalhador mais preparado para reconhecer seus direitos, identificar irregularidades e buscar o apoio de sua entidade sindical quando necessário.
Segurança no trabalho também é direito
A programação contou ainda com a participação de José Luís de Sousa Maia, Técnico em Segurança do Trabalho, trazendo para o Congresso uma dimensão indispensável da luta sindical: a proteção da vida e da saúde de quem trabalha.
Para os assalariados e assalariadas rurais, discutir segurança e saúde no trabalho significa falar sobre prevenção de acidentes, utilização adequada de equipamentos de proteção, condições dos ambientes de trabalho, exposição a riscos e responsabilidade dos empregadores.
Nenhuma atividade produtiva pode estar acima da vida.
Por isso, defender trabalho decente passa necessariamente pela construção de ambientes seguros, pela prevenção e pelo cumprimento das normas destinadas à proteção dos trabalhadores e trabalhadoras.
Debate político e Eleições 2026
O Congresso também reservou espaço para uma avaliação política das Eleições de 2026, permitindo que os participantes refletissem sobre o cenário nacional e sobre a importância da participação democrática dos trabalhadores e trabalhadoras.
Para o movimento sindical, compreender o cenário político e institucional é importante porque decisões tomadas nos espaços públicos podem produzir impactos diretos sobre relações de trabalho, proteção social, políticas públicas e direitos da população trabalhadora.
Nesse sentido, a formação política também integra o processo de fortalecimento sindical: não para substituir a autonomia de cada cidadão e cidadã, mas para ampliar o acesso à informação e a capacidade de compreender os debates que envolvem o futuro do trabalho e das políticas destinadas ao campo.
Integração nacional fortalece a luta
Outro elemento significativo do Congresso foi a participação de presidentes e representantes sindicais dos estados do Rio Grande do Norte (José Saldanha), Goiás (Paulo Celio) e Rio Grande do Sul (João Cesar).
A presença de lideranças de diferentes regiões demonstra que, embora cada estado tenha suas particularidades produtivas, econômicas e sociais, muitos dos desafios enfrentados pelos assalariados e assalariadas rurais são compartilhados.
Do Nordeste ao Centro-Oeste e ao Sul do Brasil, existem pautas que aproximam esses trabalhadores: valorização profissional, formalização das relações de trabalho, segurança e saúde, respeito aos direitos trabalhistas, fortalecimento das negociações coletivas e combate às diferentes formas de precarização.
Essa integração permite trocar experiências, compartilhar estratégias e compreender que nenhuma Federação ou Sindicato precisa enfrentar seus desafios de maneira isolada.
A presença dessas representações estaduais no Ceará simboliza justamente uma das principais características da estrutura construída em torno da CONTAR: uma rede nacional de trabalhadores, Sindicatos e Federações que respeita as particularidades regionais, mas se une em torno da defesa da categoria.
Mais uma mulher assumindo a responsabilidade de liderar
O 2º Congresso também marca um novo capítulo para a organização dos assalariados e assalariadas rurais cearenses com a eleição de Francisca Fabrícia Maciel para a Presidência.
A chegada de mais uma mulher à frente de uma entidade representativa da categoria carrega um importante significado.
Historicamente, as mulheres trabalhadoras rurais enfrentam desafios que ultrapassam o ambiente profissional. Muitas conciliam o trabalho remunerado com responsabilidades familiares e domésticas e, ao mesmo tempo, constroem sua participação nos sindicatos e demais espaços de representação.
Por isso, ampliar a presença feminina nos espaços de decisão significa também reconhecer a contribuição das mulheres para a história e para o futuro do movimento sindical.
A nova gestão certamente encontrará desafios.
Haverá obstáculos, negociações difíceis, reivindicações, cobranças e a responsabilidade permanente de representar os interesses dos assalariados e assalariadas rurais do Ceará.
Mas o Congresso também demonstrou que essa caminhada não será feita de maneira individual.
Fabrícia assume a Presidência respaldada pela democracia sindical e acompanhada por uma estrutura formada por dirigentes, Sindicatos, Federações e pela CONTAR.
Uma construção coletiva preparada para transformar dificuldades em organização e desafios em luta.
Uma nova etapa começa no Ceará
Ao final do 2º Congresso Estadual dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais do Ceará, fica uma mensagem que ultrapassa o próprio evento.
O movimento sindical continua sendo construído diariamente.
Ele acontece quando um trabalhador procura o Sindicato para conhecer seus direitos. Quando uma trabalhadora participa de uma assembleia. Quando uma denúncia é acolhida. Quando uma negociação coletiva conquista melhores condições. Quando dirigentes percorrem locais de trabalho para ouvir a base. Quando Federações articulam seus Sindicatos. E quando a CONTAR reúne essas diferentes realidades para transformar demandas locais em uma grande pauta nacional.
Foi essa estrutura que o Congresso reafirmou.
Sindicatos fortes. Federações atuantes. Uma Confederação representativa. E, principalmente, trabalhadores e trabalhadoras conscientes de que são protagonistas da própria organização.
O 2º Congresso encerra uma etapa, mas, sobretudo, abre outra.
Uma nova direção assume a responsabilidade de seguir construindo essa história no Ceará, tendo pela frente desafios importantes e a missão de ampliar ainda mais a presença da entidade junto aos locais de trabalho e aos assalariados e assalariadas rurais.
A CONTAR reafirma seu compromisso de caminhar ao lado da Federação, dos Sindicatos e de cada trabalhador e trabalhadora nessa trajetória.
Porque direitos não surgem por acaso.
Direitos são conquistados com democracia, participação, organização e luta coletiva.
E o 2º Congresso Estadual dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais do Ceará demonstrou que essa luta segue viva, organizada e preparada para continuar avançando.
