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Quem Planta Merece Colher Direitos

Quem Planta Merece Colher Direitos: CONTAR e Oxfam Brasil lançam campanha nacional em defesa dos assalariados e assalariadas rurais

Iniciativa busca dar visibilidade às condições de trabalho no campo, fortalecer a luta pelo fim da escala 6×1 e ampliar a garantia de direitos para quem produz os alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

Todos os dias, milhões de trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais acordam antes do amanhecer para garantir que frutas, verduras, legumes e diversos alimentos cheguem às mesas das famílias brasileiras. São homens e mulheres que movimentam a economia, fortalecem o agronegócio, impulsionam as exportações e desempenham um papel indispensável para a segurança alimentar do país.

Apesar dessa importância, a realidade vivida por grande parte dessa categoria ainda é marcada por jornadas exaustivas, baixa visibilidade social e constantes violações de direitos trabalhistas e humanos.

É para enfrentar esse cenário a CONTAR, em parceria com a Oxfam Brasil, lança a campanha nacional “Quem Planta Merece Colher Direitos”.

A iniciativa nasce com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a realidade dos trabalhadores assalariados rurais, fortalecer a organização da categoria e sensibilizar a sociedade e o poder público para a necessidade urgente de garantir condições dignas de trabalho no campo.

Os números revelam uma realidade preocupante

Os dados mais recentes da PNAD 2025 demonstram que a situação dos assalariados e assalariadas rurais exige atenção imediata.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 3,6 milhões de trabalhadores assalariados rurais.

Entre eles:

  • 45%, o equivalente a aproximadamente 1,6 milhão de pessoas, cumprem jornadas acima de 40 horas semanais;
  • 23% trabalham mais de 44 horas por semana, ultrapassando a jornada máxima prevista na legislação trabalhista.

Os números evidenciam uma rotina de trabalho intensa que expõe milhares de pessoas ao desgaste físico, mental e emocional.

Além da longa jornada, esses trabalhadores enfrentam condições que aumentam significativamente os riscos de acidentes de trabalho, adoecimento ocupacional, violações de direitos humanos e precarização das relações de trabalho.

Essa realidade demonstra que, embora sejam fundamentais para a produção de alimentos e para o desenvolvimento econômico do país, os assalariados e assalariadas rurais ainda permanecem invisibilizados em diversas políticas públicas e debates nacionais.

Dar visibilidade é garantir direitos

A campanha “Quem Planta Merece Colher Direitos” parte de um princípio simples, mas extremamente poderoso:

Quem produz a riqueza do campo também precisa colher dignidade, respeito e proteção.

Por isso, a iniciativa pretende levar informação diretamente às frentes de trabalho, fortalecer a organização dos trabalhadores, ampliar o diálogo com sindicatos e federações e mobilizar a sociedade para reconhecer o papel estratégico desempenhado pelos assalariados e assalariadas rurais.

Ao mesmo tempo, a campanha reforça a incidência política da CONTAR junto ao Congresso Nacional, ao Governo Federal e às instituições responsáveis pela construção e fiscalização das políticas públicas voltadas ao trabalho rural.

Dar visibilidade significa reconhecer que os direitos trabalhistas precisam alcançar todos aqueles que fazem o campo produzir.

O fim da escala 6×1 também é uma pauta do campo

Entre as principais bandeiras defendidas pela campanha está o fim da escala 6×1.

Embora o debate tenha ganhado força em diversos setores da economia, a CONTAR reforça que essa também é uma reivindicação histórica dos trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais.

Jornadas excessivas comprometem o descanso, reduzem o convívio familiar, aumentam o desgaste físico e psicológico e elevam o risco de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Uma jornada mais equilibrada representa muito mais do que uma mudança na organização do trabalho.

Significa garantir qualidade de vida, saúde, segurança, fortalecimento dos vínculos familiares e valorização da dignidade humana.

Quem dedica sua vida à produção dos alimentos que abastecem o país também merece tempo para viver.

Trabalho decente começa pelo reconhecimento

A campanha também reforça que promover trabalho decente vai muito além da formalização dos vínculos empregatícios.

É necessário garantir:

  • respeito aos direitos trabalhistas;
  • ambientes seguros e saudáveis;
  • acesso à saúde e à proteção social;
  • valorização da negociação coletiva;
  • combate às jornadas abusivas;
  • prevenção de acidentes de trabalho;
  • combate à discriminação e às desigualdades no campo;
  • promoção da igualdade de oportunidades para homens e mulheres.

Esses princípios dialogam diretamente com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em relação aos direitos humanos e ao trabalho decente.

Uma mobilização construída por quem representa os trabalhadores

A campanha será desenvolvida nacionalmente com o apoio das Federações filiadas, Sindicatos dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais e diversas organizações parceiras.

Ao longo das ações, estão sendo produzidos materiais informativos, conteúdos para redes sociais, atividades de conscientização nas frentes de trabalho e iniciativas de incidência política voltadas ao fortalecimento da proteção dos direitos da categoria.

Mais do que denunciar problemas, a campanha busca construir soluções e ampliar a participação dos trabalhadores nas decisões que impactam diretamente suas vidas.

Quem alimenta o Brasil merece respeito

Não existe produção forte sem trabalhadores valorizados.

Não existe desenvolvimento sustentável sem trabalho digno.

Não existe alimento na mesa dos brasileiros sem o esforço diário dos assalariados e assalariadas rurais.

Ao lançar a campanha, a CONTAR e a Oxfam Brasil reafirmam seu compromisso com a construção de um campo mais justo, humano e democrático, onde produzir alimentos caminhe lado a lado com o respeito aos direitos, à dignidade e à qualidade de vida de quem trabalha.

Porque quem planta merece colher direitos!

E quem alimenta o Brasil merece reconhecimento, proteção e uma jornada de trabalho verdadeiramente humana.