A juventude assalariada rural da Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (CONTAR) esteve representada na construção de importantes debates sobre o futuro da juventude no campo. Entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro, em Brasília (DF), a jovem Tiffany Souza trabalhadora da fruticultura, mulher trans, delegada e representante do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Petrolina/PE, participou do 1º Curso de Juventude e Sucessão Rural, promovido pela Coordenação-Geral da Juventude Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
A atividade teve como objetivo fortalecer a formação de jovens lideranças para a implementação do Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, contribuindo para a construção de estratégias capazes de enfrentar o êxodo da juventude do campo e criar condições para que os jovens possam permanecer, trabalhar e construir seus projetos de vida nos territórios rurais.
Representando a juventude rural da CONTAR, Tiffany levou para o espaço uma perspectiva fundamental: a realidade dos jovens que vivem e trabalham como assalariados e assalariadas rurais.

Sua participação teve um significado ainda maior por ser a única representante da categoria dos trabalhadores e trabalhadoras assalariados rurais presente na formação, tornando-se uma importante voz da juventude assalariada rural nas discussões sobre políticas públicas, sucessão e permanência da juventude no campo.
Sua trajetória também evidencia a importância da diversidade na representação sindical. Como mulher trans, jovem, trabalhadora da fruticultura e dirigente sindical, sua presença amplia a compreensão sobre as diferentes realidades vivenciadas pela juventude rural brasileira e reforça a necessidade de políticas públicas que considerem as múltiplas identidades, experiências e condições de trabalho existentes no campo.
Para a CONTAR, discutir juventude e sucessão rural também significa reconhecer que o campo é formado por diferentes categorias de trabalhadores e trabalhadoras e que os jovens assalariados rurais precisam estar incluídos na construção das políticas que definem o futuro do meio rural.
Uma voz que representa uma categoria
A participação da jovem representante do STTAR de Petrolina/PE também reafirma o papel do movimento sindical na formação de novas lideranças e na construção de espaços de participação para a juventude.
Ao ocupar esse espaço, ela levou consigo não apenas sua experiência individual, mas também as vivências de milhares de jovens que trabalham nas diferentes cadeias produtivas do meio rural brasileiro e que enfrentam desafios relacionados às condições de trabalho, renda, oportunidades profissionais, formação, participação sindical e perspectivas de permanência no campo.
A presença de uma jovem assalariada rural em uma formação nacional sobre sucessão rural contribui para ampliar o debate e chamar atenção para uma questão essencial: não é possível pensar o futuro do campo sem ouvir quem já está trabalhando nele.
CONTAR participa da celebração de formatura

No dia 3 de setembro, foi realizada a Celebração de Formatura do 1º Curso de Juventude e Sucessão Rural, marcando o encerramento de uma importante etapa de formação das jovens lideranças participantes.
A CONTAR esteve presente nesse momento por meio da Secretária de Gênero e Geração, Samara Souza, e da Analista de Projetos, Lorena Freitas, que acompanharam a celebração e prestigiaram a formação da jovem Tiffany Souza.
Para Samara Souza, a participação da jovem representa um avanço importante para a organização e para a visibilidade da juventude assalariada rural dentro das políticas públicas voltadas ao campo.
“Para nós, da CONTAR, é uma grande conquista ver uma jovem assalariada rural ocupando esse espaço de formação e construção de políticas públicas. Ela não está aqui apenas representando a sua trajetória, mas levando a voz de toda uma categoria que muitas vezes não aparece quando falamos de juventude rural. É fundamental que os jovens assalariados e assalariadas rurais estejam presentes nesses espaços, dizendo o que vivem, quais são seus desafios e, principalmente, ajudando a construir as políticas que queremos para o futuro do campo. Sua presença, como mulher trans, jovem, trabalhadora e liderança sindical, também mostra que a juventude rural é diversa e precisa ser reconhecida em toda a sua pluralidade. A CONTAR tem muito orgulho de estar junto nessa caminhada e de contribuir para que novas lideranças possam ocupar cada vez mais espaços. Parabéns, Tiffany por todo seu desempenho e luta!”, destacou Samara Souza.
A participação no curso e na celebração de formatura representa, assim, mais um passo para o fortalecimento da juventude dentro do Sistema CONTAR e para a construção de uma agenda que reconheça os jovens assalariados e assalariadas rurais como sujeitos fundamentais para o presente e o futuro do campo brasileiro.
Mais do que discutir sucessão rural, iniciativas como essa abrem espaço para que a juventude possa falar sobre trabalho, direitos, oportunidades, diversidade, organização sindical e seus projetos de vida.
A CONTAR reafirma seu compromisso com o fortalecimento da juventude assalariada rural e com a construção de um campo onde os jovens possam permanecer, trabalhar e viver com dignidade, direitos e oportunidades.
